
Enquanto nos deliciamos com a extravagância de Neymar ou com a precisão do futebol de Ganso, nascem nas suas sombras 'peixinhos' capazes de um dia virem a atingir patamares futebolísticos de destaque no panorama internacional.
Com muitos clubes espalhados pela Europa de olhos postos na Vila Belmiro e elevadas como estão as fasquias para conseguirem trazer até ao Velho Continente os dois grandes craques 'santásticos',o interesse em antecipar e resgatar desde logo possíveis sucessores ganha importância. Procurando jogadores aos quais não reconhecer o seu potencial é não dar liberdade à nossa imaginação, surge o nome de Alan Patrick.
Boleia Açucarada
Nascido a 13 de Maio de 1991 em Catanduva, conhecida como a 'Cidade do Feitiço' e localizada nas proximidades de São Paulo, Alan Patrick deu os primeiros toques na bola na 'escolinha' Derac, situada em São José de Rio Preto.
Oriundo de uma família humilde, viu a sorte cruzar-se com o seu caminho quando aos 12 anos o 'Peixe' foi jogar à sua cidade e se deparou com o seu talento, dando azo a que pouco tempo depois tenha sido convidado a realizar alguns testes - ou 'peneira' ,como chamam os brasileiros - onde os responsáveis do clube se propunham a avaliar melhor as suas capacidades.
Contudo, chegada a hora de se deslocar até Santos para dar continuação ao sonho de se tornar jogador profissional, faltava um 'pequeno-grande' pormenor: dinheiro para a viagem até às instalações dos alvinegros. Pois bem, como a necessidade aguça o engenho, pai e filho encontraram numa boleia açucarada - num camião de açúcar - a solução ideal para que o sonho de Alan não ficasse por ali.
Um 'Peixinho' à Procura de Espaço Para Se Tornar Tubarão
Chegado à Academia do clube brasileiro, Alan Patrick deixou boas impressões aos responsáveis do Santos, fazendo com que estes últimos o tenham integrado nos seus quadros de formação em 2004. Volvidos 5 anos, e já depois de se ter tornado um dos destaques do futebol de base do 'peixe' ,Alan fez a sua estreia no Brasileirão com a camisola do Santos em 2009,estreia essa que mais tarde se viria a revelar talvez prematura demais, já que após mais alguns minutos de competição entre os profissionais o seu regresso aos Juniores tornou-se inevitável.
Cresceu e aprendeu a jogar apreciando as 'pedaladas' de Robinho e ao lado de craques como Neymar e André - este último actualmente pertencente aos quadros do Dinamo de Kiev e emprestado aos franceses do Bordéus - mas apenas no Brasileirão de 2010 conseguiu ganhar alguma notoriedade, que ainda assim, é muitas vezes ofuscada pelo futebol ímpar que Ganso vem demonstrando ao serviço do Santos.
Visto como o sucessor natural de Paulo Henrique Ganso e preparando a já mais do que provável saída do ídolo 'santista', Alan Patrick tem vindo a ser utilizado com maior regularidade e até já teve o prazer de vestir a mítica camisola 10 dos alvinegros, que outrora pertenceu a jogadores como Diego, Giovanni e sobretudo a Pelé.
Porém, é também verdade que essa oportunidade só aconteceu numa feliz - para Alan Patrick - conjugação de acontecimentos, ficando a sensação que continuando a ter mais tempo de jogo o seu futebol pode ganhar a dimensão necessária que lhe permita fazer justiça a uma camisola com tanta história para o clube brasileiro.
Se no Santos parece estar a demorar a ganhar o devido destaque, ainda que de forma compreensível, seria expectável que pelas selecções jovens tivesse mais oportunidades, particularmente no último Sul-Americano Sub-20, onde Ney Franco apostou essencialmente em jogadores como Óscar (Internacional) ou Lucas (São Paulo) em detrimento de Alan Patrick, vendo-se este último de novo sem o tempo de jogo mais adequado para que consiga mostrar serviço.
A Cumplicidade do Calor Brasileiro com o Frio da Europa de Leste
Da Ucrânia e mais precisamente do Shakhtar Donetsk, que já conta com um contingente brasileiro assinalável nos seus quadros, chegou a primeira proposta - de 5 milhões de euros - tendo em vista a aquisição de Alan Patrick, mas que acabou por ser rejeitada pelos responsáveis do Santos, que acreditam numa valorização do seu passe até ao Mundial 2014, a ter lugar no Brasil.
Num movimento cada vez mais frequente com a saída de grandes craques sul-americanos para a Europa de Leste onde estão localizados campeonatos nacionais de uma segunda linha europeia - ainda assim cada vez mais de primeira - os negócios que daí decorrem são para os jogadores bem mais proveitosos do ponto de vista financeiro do que propriamente do ponto de vista desportivo.
Olhando o futebol de Alan Patrick, fica-nos a ideia de que ainda terá um longo caminho a percorrer, sendo certo que esse caminho só poderá ser percorrido com muito tempo de jogo e de preferência integrado numa equipa que esteja envolvida em campeonatos verdadeiramente competitivos.
Dotado de técnica, capacidade de passe e visão de jogo, o novo 'menino da vila' precisa de ter mais vezes a bola no pé para que possa fazer o pleno uso das suas qualidades. Caso contrário, acaba por desaparecer e passar ao lado do jogo.
Mais do que um futebol passivo ou de expectativa, o novo craque do Santos terá que adoptar uma postura activa, oferecendo mais soluções e ganhando outro tipo de importância em todo o futebol da equipa, podendo actuar numa primeira linha do meio-campo, funcionando mais como um organizador, ou numa segunda, mais próxima dos avançados, onde com criatividade fornece dinâmica ofensiva.
O tempo ditará se o futuro de Alan Patrick passará pelo colorido dos 'pysanky' ucranianos ou pelo colorido das bancadas de um futebol de primeira linha em que a competitividade lhe permita crescer realmente enquanto jogador.
Fonte: Academia De Talentos

wmi9