Emerson Leão não é nem mais o técnico do Santos, mas, mesmo assim, ainda sofre nas mãos dos torcedores santistas. Nesta quinta-feira à tarde, o treinador esteve na Vila Belmiro para receber salários atrasados, mas foi recebido com socos e pontapés por um grupo de oito torcedores. Entre eles estava o ex-segurança Castelão, demitido após uma briga contra outro segurança dentro dos vestiários. Insatisfeito por ter sido mandado embora, segundo a história por causa do ex-treinador do Peixe, Castelão deu o "troco" nesta tarde. Ele liderou o grupo de agressores e partiu para cima de Leão assim que o viu.
Corredor polonês
Tudo aconteceu num corredor, quando Leão foi cercado e empurrado. Ele se preparava para deixar o estádio, quando sofreu a agressão. Na tentativa de voltar para o clube e pular sobre uma roleta, ele caiu de costas. Enquanto tentava fugir da fúria de Castelão, um grandão de quase dois metros de altura, Leão ainda teve que se esquivar de outro torcedor que tinha em mãos uma barra de ferro. Estas cenas foram gravadas pelas câmeras de segurança do clube e entregues à polícia.
"Se esta barra tivesse me acertado, nesta hora eu não estaria aqui dando entrevistas para vocês", comentou Leão è imprensa, na porta da delegacia. Somente Castelão foi identificado, mas os outros sete elementos seriam integrantes da Torcida Jovem.
"Isso segundo os funcionários do clube comentaram", reforçou Leão. Aparentemente ele só tinha marcas vermelhas e roxas num dos braços. Depois da queixa, passou por exame de corpo de delito.
A polícia foi chamada e logo chegou na Vila Belmiro. Leão foi prestar queixa na delegacia, enquanto os agressores fugiram do local. O delegado João Milhan Gonçalves não teve dúvida em afirmar que todos os identificados serão acusado de tentativa de crime doloso - com intenção de matar.
Carro cercado e saque
Logo em sua chegada ao Estádio da Vila Belmiro, Leão, que esteve no Santos até o inicio do Brasileirão, teve seu carro cercado pelos vândalos. Ele tentou escapar, mas não teve jeito.
Acuado e em minoria, foi agredido fisicamente e viu os torcedores roubarem alguns de seus pertences. Existe também a suspeita de que o carro do treinador, atualmente no Al Sadd, do Catar, tenha sido alvo da violência dos marginais.
Empresários presenciam agressão a Leão
Os empresários da Think Ball & Sports Consulting, Marcelo Goldfarb e Bruno Paiva, estavam, coincidentemente, na Vila Belmiro, em Santos, quando ocorreu a covarde agressão ao técnico Emerson Leão por parte de um grupo de torcedores.
Os empresários estavam reunidos com a diretoria do Santos para tratar de assuntos profissionais e, quando deixavam o local, juntamente com o treinador, presenciaram o triste acontecimento. Segundo eles, foi uma ação rápida que não permitiu nenhum tipo de reação. Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb lamentaram o ocorrido e se solidarizaram com Emerson Leão.
A dívida
O treinador cobra uma quantia de R$ 700 mil do clube, dívida relativa à sua terceira passagem pelo Santos, quando não assinou nenhum contrato por seis meses. Durante esse período, trabalhou apenas "com a palavra do presidente Marcelo Teixeira", como costumava dizer nas coletivas.
Para deixar a Vila, no entanto, Leão fez um acordo. Ele receberia os salários em parcelas, mas recebeu apenas duas parcelas do valor combinado. A diretoria do Santos admite a pendência financeira, e pretende acertar um novo acordo com o ex-técnico, pagando os R$ 700 mil em oito parcelas iguais.
Fonte: Futebol Interior
foto: câmera interna da Vila Belmiro

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