Se a técnica não foi um primor, o duelo de líderes no Castelão no retorno do Brasileirão 2010 após a Copa do Mundo chamou a atenção pelo duelo tático no primeiro tempo e a disputa mais aberta e eletrizante na segunda etapa após as substituições dos treinadores.Sem Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho, Mano Menezes apostou na qualidade de Defederico, Bruno César e Danilo na articulação e deixou Iarley como referência na frente. Mas apesar da constante movimentação do trio de meias, o 4-2-3-1 não conseguiu a fluência ofensiva desejada pela lentidão de Danilo e a atuação discretíssima de Defederico, totalmente entregue à boa marcação cearense.
Na frente, Iarley não conseguia trabalhar como pivô e tentou compensar rodando pelo ataque, o que acabou esvaziando a área adversária. Só Bruno César conseguiu criar algumas boas jogadas contando com o apoio de Roberto Carlos pela esquerda. Mais plantado por conta da movimentação de Misael, Alessandro apoiou pouco.
Mesmo sem o zagueiro Anderson e o volante Heleno, suspensos, Estevam Soares manteve a estrutura tática dos tempos de PC Gusmão e soube posicionar sua equipe encaixando a marcação sobre o adversário. para cercar os três meias corintianos, o técnico distribuiu seus volantes por zona: Careca à direita, Michel pelo centro e João Marcos do lado esquerdo. Com isso, Oziel e Ernandes ganharam liberdade para articular com Geraldo e duelar com os laterais adversários. Sem a bola, Mizael ajudava Geraldo no combate aos volantes Ralf e Elias e abria pelos lados para iniciar os contragolpes.
Com os times organizados, mas sentindo a falta de ritmo e os desfalques, os primeiros 45 minutos não agradaram os quase 50 mil presentes – melhor público da competição até agora. Dignos de nota, apenas um bom arremate de Misael no início da partida e uma grande defesa de Diego em chute de Bruno César.
Com as entradas do jovem William Morais e de Tcheco e Souza nas vagas de Defederico, Danilo e Iarley, o Corinthians manteve o sistema de jogo, mas ocupou o campo adversário de forma mais incisiva e teve uma referência no ataque; O Ceará ganhou velocidade nos contragolpes com Tony, ex-Botafogo e Boavista, no lugar de Geraldo, a única substituição de Estevam que também não alterou o 4-3-1-2 “móvel” da equipe mandante.
Nos últimos vinte minutos o jogo ficou franco. Os visitantes assustaram com um perigoso chute de Tcheco que Diego espalmou e tiveram a grande chance em cobrança de falta frontal na entrada da área que Chicão, exímio cobrador, desperdiçou. Mas foi do Ceará a melhor oportunidade e também o mais belo lance da partida: progressão em diagonal de Misael a partir da esquerda e o chute com efeito para defesa portentosa de Júlio César, que lembrou muito a intervenção do holandês Stekelenburg no arremate de Kaká no jogo que decretou a eliminação brasileira no Mundial da África do Sul.
O Ceará manteve o fantástico desempenho de sua defesa – apenas um gol sofrido em oito jogos – e pode alimentar a esperança de se manter na metade de cima da tabela. O time continua organizado e aguerrido e só precisa depender menos de Misael nas ações ofensivas para melhorar a produção do ataque que só marcou sete vezes e prejudica o saldo de gols que não permite que o time nordestino chegue ao topo da tabela.
No Corinthians, Júlio César mostrou que merece respeito na disputa de posição com o paraguaio Bobadilla e Bruno César comandou o meio-campo mantendo o ritmo de antes da paralisação do campeonato. Mesmo se perder a liderança para o Fluminense em caso de vitória tricolor sobre o Prudente, o time de Mano Menezes tem força para continuar brigando na frente com a volta dos titulares.
Fonte: GloboEsporte

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