Goleiro teve negociação de aumento complicada, bate-boca com diretor e voltou gordinho
Felipe inicia 2008 bem diferente do que terminou 2007. Se no ano passado foi um dos poucos que se salvaram (ao lado do atacante Finazzi) na campanha do rebaixamento, esta temporada começou turbulenta para o goleiro. Em meio à negociação para aumento salarial, bate-boca via imprensa com o novo diretor técnico, Antonio Carlos, e quilinhos a mais na reapresentação, de herói Felipe virou mercenário para alguns torcedores.
- Isso foram alguns caras só que gritaram, não é a torcida do Corinthians. Tenho certeza que depois da primeira, segunda boa defesa todo mundo vai estar gritando meu nome novamente - diz Felipe, que na reapresentação no Parque São Jorge, dia 3 de janeiro, Felipe foi chamado de mercenário.
Os quilos a mais já são passado. Felipe admitiu que retornou das férias cinco quilos mais gordo. Já perdeu quatro. Culpa de sua mãe, bastante conhecida em Salvador:
A arrastada negociação para acertar um aumento salarial gerou uma discussão via imprensa entre Antonio Carlos e Felipe. Depois de uma reunião inconclusiva, o dirigente revelou o valor do aumento que estavam oferecendo ao arqueiro e que havia sido recusado: 80%. Os empresários do atleta, Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, divulgaram nota repudiando o fato e admitindo abrir negociação com o Fluminense. Na mesma diziam que entendiam que o melhor era Felipe sair do Corinthians por pelo menos um ano. Antonio Carlos, então, lembrou dos três rebaixamentos do jogador (dois com o Vitória, e um com o Corinthians). Tudo se encaminhava para o divórcio.
O arqueiro acabou concedendo entrevista e falou que Antonio Carlos foi infeliz e revelou mágoa. O Flu então ofereceu R$ 3 milhões, mais o goleiro Fernando Henrique. O presidente Andrés Sanches rejeitou, tomou as rédeas da negociação do aumento de Felipe (prometido pelo dirigente) e acertou 167% de reajuste. Tempo de contrato (dezembro de 2011) e valor da multa rescisória (R$ 12 milhões) foram mantidas.
- O Antonio Carlos foi infeliz e lógico que fiquei chateado. Mas passou, chega, já conversamos, vamos trabalhar juntos e fazer o que é melhor para o Corinthians. Esse é o objetivo de todos aqui. Caímos agora temos que subir - avalia o arqueiro.
Idolatria e camisa 10
Para quem pensa que a fama de mercenário pode pegar em Felipe, alguns garotos que acompanharam boa parte dos treinos do Corinthians na pré-temporada em cima de uma árvore em Itu, cidade a 100 km de São Paulo, provaram que a idolatria continua. Felipe era o mais exaltado. Está certo que os jovens desconheciam a maioria dos contratados, e não houve nenhuma supercontratação (a principal foi de Acosta, que não é unanimidade). Mas o camisa 1 segue com moral mesmo após pleitear aumento.
- Esses garotos mostraram que não são todos que querem me ver pelas costas. A torcida corintiana tem que entender que me foi prometido um aumento. E nunca eu disse que queria sair. Sempre quis ficar. E fiquei - diz Felipe, que presenteou os garotos com um par de luvas.
Felipe está tão garantido como titular do Corinthians que o reserva em 2007, Marcelo, renovou acordo até 2010, mas foi emprestado. Na visão do presidente Andrés Sanches, Marcelo tem muita qualidade para ficar no banco. Ele vai jogar no Ituano até o fim do Campeonato Paulista e depois pretende novo empréstimo para disputar o Campeonato Brasileiro da Série A.
- O Felipe é fundamental para nosso acesso, que é nossa obrigação neste ano. Ele se identificou demais com o clube e nunca pensei em perdê-lo - garante o presidente Andrés Sanches.
Ele até recebeu uma sugestão de um corintiano: por que não dar a camisa 10 para o goleiro. Seria uma jogada de marketing sensacional, disseram a Sanches. Felipe, no final ficou com a 1 mesmo e Acosta ganhou a 10. O marketing corintiano será o acesso para a Série A em 2009.
Fonte: GloboEsporte

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