No retorno ao Brasil após sete temporadas e meia em Portugal, não é só a média de quase um gol por partida que impressiona, mas também a velocidade do centroavante. Aos 33 anos, ele corre uma média de 1,2 Km a cada dez minutos de treinamento.Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o camisa 9 alvinegro diz que sempre foi magro e acredita que seu porte físico colabora para manter a característica de atacante veloz, apesar de hoje estar mais próximo do fim de carreira.
“Meu biotipo foi sempre assim. Nunca fui uma criança forte, nem um adolescente, e isso tem me ajudado bastante, ainda mais agora. Aos 33 anos, não é fácil manter o peso. Para mim acontece o contrário, às vezes tenho que fazer um trabalho para ganhar peso. Graças a Deus isso nunca me atrapalhou, sempre foi um privilégio”, declarou.
Na sua adaptação à cidade de São Paulo, Liedson se incomoda com o trânsito congestionado da capital paulista.
Durante os sete anos e meio que viveu em Lisboa, demorava 30 minutos da sua casa ao CT do Sporting, um percurso de 32 Km. Atualmente vive no bairro do Tatuapé e precisa de 40 minutos para chegar ao CT Joaquim Grava, no Parque Ecológico, uma distância de aproximadamente 10 Km.
Liedson falou de outros assuntos, como seleção brasileira. Reprovou as opções do ex-técnico Dunga, que convocou Afonso Alves e Bobô, por exemplo. Confira:
Como está a adaptação a São Paulo após viver sete anos em Lisboa?
Liedson – A primeira coisa que tive que me readaptar é o trânsito. Todo mundo sabe que em São Paulo é complicado. Mas no geral foi só isso, porque já conhecia a cidade e o clube. Lá eram 32 Km até o treino. Era rapidinho, levava 30 minutos e não tinha trânsito. Cruzava uma ponte de quase 17 Km, depois passava por uma cidadezinha e pronto. Aqui é complicado, moro no Tatuapé, para vir seria rapidinho [ao CT no Parque Ecológico], mas com trânsito tenho de sair 40 minutos antes, no mínimo, para chegar em cima.
Como foi o processo de naturalização para jogar por Portugal?
Liedson - A partir do quinto ano no país, você tem o direito de pedir a nacionalidade. Encaminhei para o clube que eu queria virar português para ter o passaporte, porque facilita na Europa. Lá me tratavam bem, a imprensa comentava: ‘se o Liedson fosse português, por que não defender a seleção?' Já tinha dois brasileiros, o Pepe e o Deco, eu estava bem, sempre tive uma imagem muito boa, nunca fui um jogador de criar problema extracampo. Quando as coisas começaram a se complicar nas eliminatórias, o pessoal da Federação Portuguesa, o próprio treinador e auxiliar me ligaram para saber a minha intenção. Fiquei à disposição.
Se durante o processo você fosse convocado pelo Brasil, desistiria de jogar por Portugal?
Liedson - Não, de maneira alguma. No primeiro dia que começaram as conversas, disse que se desse certo eu aceitaria. Já tinha dado a minha palavra para o pessoal e a coisa que mais prezo é a palavra. Se tivesse só com pensamento de ser convocado sem ter falado pra ninguém e recebesse esse convite do Brasil, eu iria, mas depois do dia que me comprometi com o pessoal de Portugal, não dava para voltar atrás.
Você tinha algum apelido quando era criança porque era magro e corria muito?
Liedson – Só me chamavam de magrelo mesmo. Se tivesse que jogar bola três vezes ao dia, eu jogava... De manhã, à tarde e à noite. Era incansável, parecia que tinha uns quatro ou sei pulmões [risos].
Suas principais virtudes para ser goleador são o posicionamento e o arranque?
Liedson - Hoje é mais posicionamento. Claro que não tenho a mesma velocidade de cinco anos atrás, mas procuro me movimentar bastante. O pessoal me dá suplemento para repor energia, para recuperar. Isso ajuda nessa idade, sempre me cuido. Procuro seguir tudo que recomendam. Por isso acho que estou com essa saúde. A velocidade não é como era antes, mas o mais importante hoje é posicionamento.
E, apesar de você não ser tão alto, faz muitos gols de cabeça. É o posicionamento? O Romário serve como modelo, porque ele tinha a mesma característica?
Liedson - É mais um detalhe importante. Não tenho muita força física para bater, para brigar com os zagueiros, então procuro me posicionar bastante nas costas da zaga ou tento me antecipar. Vi o Romário fazendo muitos gols no meio de cada gigante. Sou um cara que estou sempre aprendendo. Romário e Ronaldo são duas pessoas que não se comparam no futebol, são únicos. Tento chegar o mais próximo deles.
Como você vê a evolução do Corinthians de 2003 até hoje?
Liedson – Vejo como 100%. O Corinthians sempre foi um grande clube, com um marketing muito forte, mas de sete anos e meio para cá cresceu mesmo. Digo que clubes europeus não têm um CT como esse. Quando ficar pronto, com hotel e tudo mais, vai ficar maravilhoso. E agora existe um projeto bom para o estádio.
A presença do Ronaldo fortaleceu o nome do Corinthians na Europa?
Liedson - A marca Corinthians é muito forte, e a marca Ronaldo ajudou bastante. Sempre falavam bastante do Corinthians lá, passava jogo na TV. Mas com a presença do Ronaldo, o fenômeno que todo mundo conhece, as pessoas passaram a acompanhar mais. Depois veio o Roberto Carlos, e esses dois jogadores ajudaram bastante para aparecer mais.
Fonte: Uol Esporte

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