A safra atual de Meninos da Vila não para de dar frutos. Depois de Neymar, Paulo Henrique Ganso e Alan Patrick, novos candidatos a prodígios continuam a surgir nas categorias de base do Santos. Uma das próximas pérolas a serem elevadas ao time principal é o atacante Diego, destaque na equipe juvenil. Talento reconhecido, o santista é um dos nomes que compõem a seleção sub-17 no Sul-Americano do Equador.Antes de chegar à Vila Belmiro, Diego passou pelas divisões inferiores do São Paulo. Entretanto, foi com a camisa alvinegra que o garoto começou a se destacar. Depois de levantar a taça do Campeonato Paulista Sub-15 de 2009, foi convocado pela primeira vez à seleção. Com o elenco sub-16, disputou a Copa Chivas no início de 2010.
A transição para os juvenis coincidiu com o esquecimento de seu nome nas listas para a equipe nacional. Após enfrentar dificuldades, Diego conseguiu se reerguer e, titular em meio a jogadores mais velhos, foi campeão paulista sub-17. Mais que isso, artilheiro do Peixe na competição, foi novamente lembrado para um período de testes com a seleção.
A estadia na Granja Comary acabou valendo a inclusão no grupo que viajou ao Equador para a disputa do Sul-Americano Sub-17. Atacante rápido e com faro de gols, Diego agora é uma das armas ofensivas no time de Emerson Ávila. Em entrevista ao Olheiros, o garoto falou sobre o seu estilo de jogo, os desafios com a seleção brasileira e a responsabilidade de ser mais um na linhagem dos Meninos da Vila.
Olheiros - Dezessete dos 26 garotos chamados pelo Emerson Ávila em janeiro acabaram na pré-convocação para o Sul-Americano, muitos deles novatos ou ausentes do time há tempos. O que aconteceu durante esse período para que ele fosse tão decisivo na lista final?
Diego - Durante o período de preparação na Granja Comary vivíamos uma constante avaliação, dia após dia. O desempenho de cada um foi o fator para escolha do treinador. Não acho que o número de convocações pela Seleção tenha sido determinante, afinal, todos terão ou tiveram uma primeira vez. O Emerson é um cara de bom relacionamento com seus atletas, sempre orientando, ajudando um a um e isso é importante para nós da base, nos deixa mais confiantes e à vontade para mostrar nosso futebol.
Olheiros - Muito se fala sobre a falta de um centroavante típico nessa seleção sub-17. Você acha que é possível jogar com atacantes um pouco mais velozes, como Piazon ou você, fazendo esse papel? Qual o seu modo favorito de atuar no atual esquema da seleção?
Diego - Sim, é possível jogar com atacantes velozes. O esquema do Emerson é bem definido e às vezes ajuda quem tem essa característica. Meu jeito de jogar é pelas laterais, gosto de ir pra cima dos zagueiros, mas, se precisar fazer papel de centroavante, eu faço, não vejo problema. Temos que nos adaptar a certas mudanças no meio dos jogos ou até opções táticas. Independente da maneira que prefiro atuar, estou preparado também para ficar mais centralizado. É sempre um aprendizado, ainda mais nessa fase. Temos que nos adaptar e achar alternativas quando atuamos um pouco deslocados do que estamos acostumados.
Olheiros - Depois da Copa Chivas Sub-16, você ficou exatamente um ano sem ser convocado. O que te tirou por tanto tempo das listas?
Diego - Fiquei um ano sem ser convocado pelas minhas más atuações nos treinamentos. Acho que isso me tirou um ano da lista e com Emerson Ávila ganhei nova oportunidade na seleção. Futebol é assim, se você tem cabeça no lugar, sabe que dará a volta por cima. Minha família e meus companheiros sempre estão comigo nos bons e maus momentos, isso me ajuda a manter o foco e ir atrás dos meus objetivos.
Olheiros - Você teve papel de destaque na conquista do Paulista Sub-17 em 2010. Até que ponto essas atuações foram decisivas na sua volta à seleção?
Diego - Foram decisivas, sobretudo na parte final do Paulista, quando pude ajudar bastante na conquista do título. Fui artilheiro da equipe no estadual, com 11 gols. Fiquei muito feliz pelo título e também por meu desempenho, por saber que estava ajudando a equipe. Quando saiu a convocação, só pensei em agradecer a todos que me ajudam na base do Santos, jogadores, comissão técnica. Quando você se destaca em um grupo, não pode esquecer que ninguém joga sozinho. Fui feliz na campanha do Paulista e quero continuar nessa pegada, marcando gols, indo pra cima dos zagueiros. Foi por isso que cheguei à seleção e quero manter esse nível aqui também. É sempre uma honra poder vestir essa camisa. O que fiz no Santos, sem dúvida, me ajudou a ser novamente convocado e as atuações nos treinos fizeram com que eu permanecesse no grupo. Isso me deixa muito satisfeito.
Olheiros - Pela quantidade de jogadores revelados pelo Santos recentemente, você acha que há uma cobrança maior sobre a base do clube atualmente?
Diego - Acho que sim. Há uma cobrança maior porque eles querem continuar revelando bons jogadores, mas sempre com um pensamento de crescer. Quando se fala em Santos, já pensamos na base. A cobrança nesse período é em cima de coisas mais básicas, que farão parte da formação de um bom atleta. Digo em relação não só dentro de campo, mas a um comportamento exemplar. A formação de um atleta vem desde o começo de sua carreira e isso é uma preocupação do Santos que vem dando resultado. Lógico que dentro de campo também há uma cobrança, uma expectativa. Vemos que está sendo bem feito, os resultados estão aparecendo.
Olheiros - Você foi campeão Paulista Sub-15 e Sub-17 em dois anos consecutivos. O que mudou entre uma competição e outra?
Diego – No sub-15, atuei com jogadores da minha idade e tivemos um entrosamento ótimo. Já na sub-17, uma categoria acima, me dediquei ainda mais para fazer parte do grupo e tive um crescimento muito bom. Acho que, conforme você vai subindo de categoria, aumenta mais a responsabilidade de se fazer um bom papel. Você já passou pelas categorias menores e sabe como funciona o clube. Além do mais, vai ficando próximo da profissionalização, mais maduro, sabe que tem que sempre estar em alto nível para conseguir uma vaga no time principal.
Olheiros - Você passou pelas divisões de base do São Paulo, mas chegou ao Santos em 2007. Por quais motivos aconteceu a mudança?
Diego - O motivo que me fez sair naquela época foi que eles não davam alojamento para os menores de idade, então mudei de clube. Hoje estou muito feliz no Santos. Penso em ficar aqui por muito mais tempo, chegar ao profissional e ser campeão.
Olheiros - Você é companheiro do Jean Chera no Santos, que, apesar de toda a badalação, nunca foi convocado para a seleção. O que acha que faltou a ele para ser chamado?
Diego - Acho que é opção do técnico convocá-lo ou não. Posso dizer que é um jogador de muito potencial. Sabe o que faz com a bola no pé, tanto é que chamou a atenção de todos desde pequeno, pela habilidade e bom futebol que tem. Se foi convocado ou não, aí passa pela decisão dos técnicos, mas futebol para tanto eu acho que ele tem.
Olheiros - Seu contrato com o Santos permanece em vigor até 2013. Qual o planejamento para a sua carreira nos próximos anos?
Diego - Quero chegar ao profissional. É um sonho, assim como é chegar à seleção brasileira principal. Sonho em poder atuar com Ganso, Neymar, Elano e outros profissionais. Quero continuar a ser feliz aqui, deixar meu nome marcado nas categorias de base e ser ídolo do Santos. Não quero ser só uma promessa e sim realidade desse clube e dessa torcida.
Fonte: olheiros.net

wmi9