Foram questionados principalmente sobre o fracasso da equipe alviverde no Campeonato Brasileiro e falaram em erros individuais e coletivos. Porém, o que mais chamou a atenção é que ambos apontaram um motivo inusitado para explicar a queda de rendimento nessa reta final de temporada. Eles acham que os jogadores do Palmeiras são tão amigos que isso acabou prejudicando o desempenho do time.
"Esse é um dos melhores grupos que já trabalhei, e estou sendo muito sincero. Só fica atrás do Cruzeiro de 2003. Dizem que nessa história do Marcos houve um racha, mas não teve. O grupo é bom até demais", opinou Leandro, referindo-se à polêmica da semana passada, em que o goleiro teve que reconhecer publicamente o erro por ter se atirado ao ataque durante a derrota para o Grêmio.
Na seqüência a esse comentário, um jornalista emendou: "mas por que o time caiu justo na reta final?".
"Não sei, talvez por isso, o grupo é bom até demais. Um cobra o outro e, depois de alguns minutos, já brinca de novo, dá tapinha nas costas. Acho que falta falar mais sério", observou o camisa 6.
Minutos depois que o lateral deixou o posto de entrevistado, foi a vez de Kléber assumir o microfone. Ao final de tantas perguntas, se deparou com o tema e endossou a opinião do colega.
"A gente já conversou bastante sobre isso. O grupo todo é muito amigo, muito unido, a amizade é grande. São muitas brincadeiras, e isso às vezes atrapalha. Acho que falta falar mais sério", ponderou o camisa 30, um dos poucos jogadores ovacionados pela torcida nesse momento conturbado.
O discurso de "somos muito amigos" fica mais contraditória quando o capitão Marcos, com a cabeça quente após as partidas, critica o time publicamente e, na seqüência, o técnico Vanderlei Luxemburgo aparece e cobra o goleiro pela atitude. Essa situação já ocorreu mais de uma vez em 2008, e o ídolo da torcida já disse que, por esse motivo, não vai mais conceder entrevista até o final do ano.
Time sentiu o baque
Como não poderia ser diferente pelos últimos acontecimentos - duas derrotas seguidas no Brasileiro e as cobranças de torcedores - o clima na Academia de Futebol da Barra Funda está abalado. Tanto é que Leandro, considerado o jogador mais brincalhão do grupo, admitiu estar chateado.
"O Alex Mineiro até chegou pra mim hoje e disse: 'pô, guerreiro, você não pode ficar assim pra baixo senão complica'. Mas se eu for brincar vai parecer que o Leandro não está nem aí. Minha cabeça está a mil também. Se o grupo cai, eu caio também", contou.
Ele também demonstrou irritação na entrevista. Um dos repórteres questionou: "o Palmeiras está em crise?". Leandro respondeu: "não." O repórter insistiu: "por que?". "Porque não", esbravejou o (quase) sempre sorridente carioca.
Depois, o 'modelo de alto-astral' afirmou que o abalo será superado. "A gente tem que melhorar até o jogo, estar alegre, feliz, senão não vai dar certo." Domingo, o Palmeiras enfrenta o Ipatinga, às 19h10, no estádio do Parque Antarctica.
Fonte: UOL Esporte

wmi9