Campanella, mostrou que o título da Série A-2 do Campeonato Paulista não poderia mesmo ficar em outras mãos. Foram três importantes conquistas históricas - em 1975, 1981 e 2008. O atual acesso estava assegurado antecipadamente ao líder do Grupo A. O rival Oeste ocupou a ponta do Grupo B. Restaria o tira-teima do quem é quem na briga pelo troféu geral comemorado na casa do bom vizinho e respeitável inimigo São Caetano. Ambos - a exemplo do Botafogo e Mogi - vão compor o próximo pelotão da elite.
Os gols de Márcio Mixirica (de cabeça, ao completar um escanteio dos pés de Jeferson, aos 34 do primeiro tempo) e de Marcelinho Carioca (de falta, aos 35 minutos da segunda etapa) derrubaram o persistente adversário e selaram a belíssima campanha de quem soube ditar o embalo na equilibrada temporada estadual.
Quase tudo ao estilo de Fahel Júnior e Sandro Gaúcho, que abriram os espaços e depois passaram a bola redonda para Sérgio Soares e Denys Giacomelli, sucessores do antigo comandante.
Faltou pouco para que um lance isolado estragasse o futebol limpo dos finalistas. Aos 41 minutos da fase inicial, Leandro Melo pegou pesado na perna do zagueiro Thiago Matias e, ao levar o merecido cartão vermelho, conseguiu arrumar um tremendo bate-boca entre os demais jogadores. O clima logo esquentou no gramado.
Sergio Soares explorou a leveza e simplicidade na troca de passes - ingredientes bem inseridos num estilo solidário - ao mandar a equipe rodar na hora certa.
Do goleiro Neneca ao matador Márcio Mixirica, não houve quem não gritasse do começo ao fim nem desafinasse a interpretação do último ato: Da Guia, Thiago Matias, Douglas, Pará, Betão, Jaílson, Fernando, Juninho, Jeferson, Mixirica, Marcelinho, Luiz Henrique, Alexandre, Elton, Willians, Maikon, Antônio Flávio, Lello, Chico Marcelo, Tatá, Cesinha, Mateus. Arthur, Fred e Júnior Dutra. Todos, enfim. que valorizaram as cenas da ópera.
Marcelinho Carioca marca um golaço e redescobre a magia
Marcelinho Carioca provou que a magia sobrevive no futebol. Depois de cravar um golaço de falta, no ângulo, aos 34 minutos do segundo tempo, bem ao estilo de quem não parava nunca de encantar a Fiel, o Xodó executou uma bicicleta na altura da marca de pênalti.
O cruzamento perfeito do lateral-direito Alexandre (havia substituído Pará) encontrou o Pé de Anjo sozinho na frente do goleiro Gledson, que viu a bola riscar o travessão do Oeste. "Teria sido um dos gols mais bonitos de minha carreira", supunha o irreverente Marcelinho, ao saltitar na pista do estádio.
Acostumado aos gritos de milhares de corintianos, Marcelinho Carioca não resistiu a uma confidência ao se referir ao coro de ... Uh, Marcelinho... "Me emocionei. Senti muita força interior. A felicidade não tem tamanho", disse o craque, ao comparar a imensa Fiel aos representantes da Fúria, da Tuda e dos Ramalhonautas que lá estavam para aplaudi-lo.
Cerimônia expõe as últimas imagens da festa no estádio
Fim de batalha. Agora, revejam as melhores cenas. Afinal, alguns detalhes roubam as principais imagens protagonizadas pelos campeões da Série A-2 do Campeonato Paulista.
De repente, os jogadores vão até o alambrado para levantar os braços, agradecer aos deuses, acenar aos familiares e recriar a solidariedade intensa espalhada nas arquibancadas barulhentas do estádio Anacleto Campanella. Às vezes, disparam, caem e rolam no gramado molhado para o clic dos fotógrafos agachados na pista.
É como se o goleiro Neneca, enrolado na bandeira do clube, não soubesse mais a quem agradecer. Os zagueiros Thiago Matias, Douglas e Da Guia erguem a enorme taça e beijam as medalhas entregues pelos representantes da FPF (Federação Paulista de Futebol). Entre eles, o vice-presidente da entidade, Reinaldo Carneiro Bastos e o diretor Jorge Abicalam.
Os presidentes Ronan Maria Pinto (da Gestão Empresarial) e Celso Luiz de Almeida (do clube social), além do vice do modelo empresa, Romualdo Magro Júnior, se confraternizam durante a cerimônia. Ronan e Magro Júnior não se esquecem de atribuir a atual estrutura às pedras antes fincadas no futebol do Santo André pelos antecessores Jairo Livolis e Celso Luiz. O capitão Fernando chora como nunca. De longe, é como se os torcedores pedissem para o show não parar.
Da Guia e Mixirica simbolizam diferentes personagens
O técnico Sérgio Soares preferiu não destacar nenhum dos vencedores na irretocável conquista agora assegurada pelo Santo André. Segundo ele, porém, todos fortaleceram a corrente solidária nos 2 a 0 de domingo diante do Oeste. No entanto, pelo menos dois personagens foram especialmente citados: o curinga Da Guia e o atacante Márcio Mixirica, artilheiro da Série A-2 do Paulista, com 13 gols.
A exemplo do diretor-geral Sérgio do Prado e do massagista Maurício Ferreira, o polivalente ala-zagueiro Da Guia é, oficialmente, o grande recordista de títulos e um dos mais assíduos participantes de inesquecíveis campanhas gravadas na história mais recente do clube.
Em 2001, Da Guia já era considerado um dos líderes do grupo responsável pelo acesso do Santo André (como vice-campeão, só atrás do Etti Jundiaí). Em 2003, vice-campeão brasileiro da Série C e, no mesmo ano, campeão da Copa FPF. Em 2004, o mais importante - a Copa do Brasil contra o Flamengo no Maracanã. Em 2005, o quarto lugar no Campeonato Paulista (a melhor colocação no ranking da elite do futebol estadual) e agora o troféu da Série A-2.
Márcio Mixirica é outro que, ao superar Jeferson (12 gols), tem pretextos de sobra para comemorar.
Fonte:Diário do Grande ABC

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