Um ano depois de viver um dos momentos mais dramáticos da carreira, Felipe deixa o Beira-Rio consagrado e, enfim, com o sentimento de dever cumprido. Em 2008, o jogador foi alçado pela própria torcida do Corinthians como o vilão na perda do título da Copa do Brasil para o Sport. Mas, desta vez, naquelas reviravoltas que só o futebol proporciona, ele se transformou em um dos heróis na conquista do caneco no empate por 2 a 2 com o Internacional, nesta quarta no Beira-Rio, e no retorno do clube paulista à Taça Libertadores de 2010, ano do centenário. Nem sempre foi assim. Felipe falhou no segundo gol dos pernambucanos, na Ilha do Retiro, e caiu em desgraça. No dia seguinte ao vice-campeonato, o nome dele e do uruguaio Acosta apareceram pichados nos muros do Parque São Jorge, os colocando como os culpados. Para piorar, foi afastado da equipe principal pelo técnico Mano Menezes sob a alegação de não se empenhar devidamente nos treinamentos.
Em 2008, contudo, Felipe foi determinante para que a taça chegasse ao Parque São Jorge. Desde as oitavas de final, o goleiro fez em casa duelo ao menos uma defesa daquelas que pareciam impossíveis e impediu que a equipe sofresse gols em casa, enquanto o Fenômeno e sua trupe resolviam no ataque.
- Fui um dos culpados naquele jogo do ano passado (Sport) e aquilo estava engasgado na minha garganta. Hoje passei o dia inteiro chorando, não sabia o que tava acontecendo - disse o goleirão após a conquista do título.
A série de milagres de Felipe começou diante do Furacão. Depois da derrota por 3 a 2, na Arena da Baixada, o Timão precisaria de uma simples vitória por 1 a 0. Ronaldo anotou duas vezes, e o goleiro operou um verdadeiro milagre no primeiro tempo, quando fez excelente defesa em chute de Wallyson. A bola ainda tocou na trave antes de sair.
Nas quartas, o camisa 1 voltou a aparecer. O Corinthians venceu o Fluminense por 1 a 0, em São Paulo, e abriu logo de cara 2 a 0, no Maracanã. O Fluminense buscou a igualdade e, quando parecia partir para a virada, o goleiro defendeu uma cabeçada de Fred no canto direito e esfriou a reação tricolor.
Contra o Vasco, nas semifinais, a fase iluminada teve sequência ao fechar o gol no empate por 1 a 1, no Rio. Em São Paulo, Felipe parou o centroavante Elton após uma forte cabeçada no ângulo esquerdo e deixou o campo como herói pelo sofrido empate sem gols.
A final não poderia ser diferente. Jorge Henrique e Ronaldo colocaram o Corinthians em vantagem. O Inter não desistiu, foi para cima, mas o goleiro operou um de seus milagres ao defender um chute cara a cara do atacante Taison: 2 a 0 no placar e título nas mãos, confirmado nesta quarta-feira, em Porto Alegre, com mais uma exibição de gala do Alvinegro.
Fonte: GloboEsporte

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