“CHEGAR AO FINAL DA CARREIRA E OLHAR PARA TRÁS E VERMOS O PERCURSO QUE FIZEMOS E ESTARMOS ORGULHOSOS EM NÓS PRÓPRIOS ISSO É O QUE REALMENTE IMPORTA PORQUE NO FUNDO QUANDO ÉRAMOS CRIANÇAS O NOSSO SONHO ERA SÓ SER JOGADOR DE FUTEBOL.”

vilela 160919A página Futebol Épico continua na sua senda de entrevistas e, na de hoje, viajámos até ao Distrito de Lisboa, para entrevistarmos Rodrigo Vilela, jogador de 24 anos do Sport Clube União Torreense, a quem desde já agradeço a disponibilidade e a amabilidade em conceder esta entrevista.

FE – Olá Rodrigo, fale-nos um pouco sobre o SCU Torreense.

RV –Olá! Desde já queria agradecer a oportunidade desta entrevista. O SCU Torreense é um histórico do futebol português e este ano tem uma nova estrutura que quer voltar a dar muitas alegrias a uma massa adepta que acompanha bastante o clube e repor o clube nas ligas profissionais onde já estivera.

 

FE – O Torreense é um dos históricos clubes do nosso país, com passagem pela primeira divisão e que se encontra, neste momento, fora dos campeonatos profissionais. O que sente por representar um clube que já disputou a primeira divisão?

RV – É um enorme prazer representar um clube como o Torreense. É um clube diferente de muitos que militam no Campeonato de Portugal e sem dúvida, pela paixão que os adeptos e as pessoas que trabalham para o clube, merece estar nas ligas profissionais.

 

FE – O Rodrigo chegou esta temporada ao clube. Como foi ou como tem sido a adaptação?

RV – Foi uma adaptação bastante rápida, fui bem acolhido por toda a estrutura e mesmo o plantel sendo praticamente todo novo foi fácil conhecermo-nos bem uns aos outros em pouco tempo e acho que semana após semana vamos tendo um grupo cada vez mais forte e unido.

 

FE – O Torreense disputa a Serie C do Campeonato de Portugal. Quais são os objetivos do clube para esta temporada?

RV – O objetivo é tentar jogo após jogo, ganhar o máximo de jogos possíveis para andar nos lugares cimeiros da tabela para que no final estejamos nos lugares que deem acesso ao playoff de subida.

FE – A equipa começou o campeonato com uma derrota mas reagiu bem ao primeiro desaire ganhando os 2 jogos seguintes. Como viu estas 3 primeiras partidas da sua equipa?

RV – Tirando o primeiro jogo, que foi um jogo atípico da nossa parte em que não conseguimos transportar tudo o que tínhamos treinado até lá, acho que nos jogos seguintes demonstramos o potencial que temos e já vimos um Torreense dominador, a querer assumir o jogo e já com uma identidade.

 

FE – Nesta última jornada, o Torreense venceu o Vitória Sernache por 1-2 com dois golos do Rodrigo que acabou por ser eleito para o onze da semana da Serie C. Como foi esse jogo e o que sentiu quando viu o seu nome nos eleitos da semana?

RV – Foi um grande jogo da nossa parte, num campo difícil contra uma equipa que nos criou algumas dificuldades mas na minha opinião tivemos sempre o jogo controlado e os golos surgiram naturalmente, felizmente fui eu que os fiz mas fruto do trabalho de toda a equipa. É sempre lisonjeador aparecer no onze da semana porque é o reconhecimento do trabalho que fizemos em campo, espero que tenha sido a primeira de muitas vezes.

 

FE – Uma semana depois, o Rodrigo voltou a ser decisivo ao marcar o golo do triunfo do Torreense na Taça de Portugal no triunfo por 0-1 frente ao São Roque. Quais são os objetivos para esta que é considerada a “prova rainha do futebol português”?

RV – A Taça de Portugal é uma excelente montra e os nossos objetivos são como a maioria dos clubes que é chegar o mais longe possível mas por enquanto é chegar à 3.ª Eliminatória.

 

FE – Se atualmente joga num histórico do futebol português, a sua formação também foi feita num outro emblema histórico que há muito anda afastado dos grandes palcos, o Louletano. O que recorda desses tempos?

RV – Foram bons tempos, cheguei ao Louletano quando tinha nove anos e estive lá até sair para a Académica e é um clube que guardo com bastante carinho porque para além de ser o clube da minha cidade é principalmente o clube onde criei as minhas primeiras amizades quando fui para o Algarve e que até aos dias de hoje se mantêm apesar de muitos terem seguido caminhos diferentes. Foi o clube onde tive imensos treinadores, uns bons outros menos bons, mas entre um deles o mais especial de todos foi sem dúvida o meu avô, Leonel Abreu, ele é sem dúvida o meu mentor, sempre o foi mesmo antes de me treinar e continua a ser agora porque ele percebe de futebol como nunca vi.

FE – Na época passada representou mais um histórico do futebol português, ao fazer parte do plantel sub-23 da Académica no ano de estreia da Liga Revelação. O que achou da prova e do formato da mesma com play-off de título e de despromoção?

RV – Acho que foi uma boa aposta da federação porque há muitos jogadores que por vezes têm valor e não lhes é possível demonstrar noutros clubes ou noutras competições e é um modo de se darem a conhecer mais e melhor. Formato da competição é uma pena não haver uma segunda divisão porque ao fim ao cabo, luta-se só pelo play-off do título porque não há despromoção.

FE – Na época passada esteve em destaque ao terminar como quinto melhor marcador da Liga Revelação com 14 golos. Que balanço faz dessa temporada?

RV – A nível pessoal foi uma temporada bastante boa mas que poderia ter sido muito melhor. Tive duas lesões que me deixaram algum tempo fora dos relvados e que não me deixaram fazer números ainda melhores aos que fiz e também pelas oportunidades na equipa principal que poderiam ter sido maiores mas isso também não dependia só de mim. Mas no geral foi um boa época e deu para criar “água na boca” para aquilo que poderei fazer este ano, foi sem dúvida uma época em que também cresci bastante como jogador, ganhar um pouco mais de experiência também por estar praticamente sempre na equipa principal da Briosa, eu fui absorvendo várias coisas que os meus colegas mais experientes como o Marinho, Hugo Almeida, João Real, Zé Castro diziam e é sempre bom irmos aprendendo sempre um pouco dali e um pouco de acolá porque no final vamos sair mais enriquecidos como jogadores.

 

FE – Como avançado que é e com os bons números da época passada, sente a pressão de ter de fazer golos ou lida bem com esse facto?

RV – Não, não sinto nenhuma pressão porque nas camadas jovens sempre fui um jogador com bastantes golos e foi algo com que sempre lidei, só quando transitei para o futebol sénior é que deixei de fazer tantos golos. Felizmente voltei a encontrar o caminho para a baliza e na época passada foram catorze golos e espero que nesta sejam mais que catorze e é para isso que trabalho também diariamente para fazer mais e melhor que na época passada ou no jogo passado.

 

FE – Na nossa Liga NOS, há algum jogador em quem se reveja pela forma de jogar?

RV – Não, por acaso na Liga NOS não me revejo em nenhum jogador, o único jogador em que me revejo um pouco é o Antoine Griezmann.

 

FE – Qual seria o clube dos seus sonhos?

RV – Sinceramente acho que não tenho um clube de sonho em que gostaria de jogar, tenho vários. Mas acho que sonho, sonho seria representar a Seleção. Em Portugal gostaria de jogar em qualquer um dos grandes e na Académica pelos simples facto de o meu avô e tio avô terem lá jogado também e felizmente esse feito já o consegui, no estrangeiro seriam imensos os clubes onde gostaria também de jogar mas a lista seria enorme. Acho que para além de chegarmos a um clube dos nossos sonhos, o que às vezes não é possível, o chegar ao final da carreira e olhar para trás e vermos o percurso que fizemos e estarmos orgulhosos em nós próprios isso é o que realmente importa porque no fundo quando éramos crianças o nosso sonho era só ser jogador de futebol.

FE – Por fim, uma curiosidade: quem é o seu ídolo no mundo do futebol?

RV – Sempre tive vários ídolos desde o Paulo Sousa, João Pinto, Figo, Zidane, Del Piero, Fernando Torres até sem dúvida as minhas duas principais referências que são o Cristiano Ronaldo e o Griezmann, e é neles que tento procurar e visualizar as suas características, movimentos, aspetos técnicos para depois adaptar ao meu próprio estilo de jogo e tentar melhorá-lo com isso mesmo.

 

Em meu nome pessoal e em nome dos seguidores da página Futebol Épico, agradeço a sua disponibilidade, desejando-lhe as maiores felicidades pessoais e profissionais!

fonte: futeboliadasepicas.wordpress.com