Já para os poloneses, as imagens do lateral que mais vêem à cabeça são de títulos. No Legia Warszawa desde 2006, ele levantou duas taças (Campeonato Polonês e Copa da Polônia). No último torneio, foi eleito o melhor jogador da final.
Bem-sucedido em terras polacas, no dia 17 de abril ele se encontrou com o presidente Lech Kaczynski e se naturalizou polonês. Dias depois, o técnico da seleção, o holandês Leo Beenhakker, o incluiu na lista de convocados para a Eurocopa, que será disputada a partir do próximo dia 7 na Áustria e na Suíça. Será o auge da carreira do atleta que também passou por Flamengo e Celta de Vigo (Espanha).
DIÁRIO - Você está desde 2006 na Polônia e nesse período se transformou em um dos principais jogadores do país. Como foi o processo de adaptação?
ROGER GUERREIRO - Foi bastante complicado, principalmente por causa do frio. Cheguei a fazer alguns treinos com a temperatura a -27ºC. O bom é que vim para jogar em um time grande, com uma estrutura muito forte. Quando recebi a proposta do Legia Warszawa, fiz questão de conhecer o clube para saber o que teria pela frente. Mas quem vem para uma equipe menor acaba sofrendo ainda mais por causa da falta de condições.
DIÁRIO - Como foi o processo para você se naturalizar polonês?
ROGER - No ano passado, vieram me perguntar sobre essa possibilidade. Pensei bastante, pesei na balança os prós e contras e no fim aceitei a proposta. Mas, sinceramente, não achei que iam seguir adiante com a idéia. Saí de férias, fui para o Brasil e quando voltei vieram falar comigo novamente. Cheguei até a conversar com o treinador da seleção polonesa (o holandês Leo Beenhakker) sobre o assunto e logo em seguida dei entrada em toda a documentação. Normalmente, a pessoa tem de morar no país por, no mínimo, cinco anos para conseguir a nacionalidade polonesa. Mas, como eles tinham uma certa urgência, todo o processo foi agilizado.
DIÁRIO - Quais são suas expectativas para a Eurocopa? Até onde você acha que a Polônia pode chegar?
ROGER - Individualmente, espero corresponder dentro de campo toda a confiança que foi depositada em mim. Já sobre o time, a Polônia tem uma equipe forte e acredito que podemos passar da fase de grupos e chegar às quartas-de-final. Aí, tudo pode acontecer. (O país está na Chave B ao lado de Alemanha, Áustria e Croácia e seguem na competição apenas os dois primeiros colocados).
DIÁRIO - Como é viver com o status de ídolo em um país tão distante do seu?
ROGER - Estou muito feliz de ser reconhecido pelo meu trabalho. Já conquistei dois títulos pelo Legia Warszawa e, ano passado, fui eleito o melhor estrangeiro em atividade na Polônia. Isso, para mim, é motivo de uma satisfação muito grande.
DIÁRIO - No Brasil, você acha que lhe falta reconhecimento. Até hoje, por exemplo, ainda falam que você foi responsável pela eliminação do Corinthians na Libertadores de 2003 por ter sido expulso no primeiro tempo do jogo contra o River Plate?
ROGER - No Corinthians, sempre disse que queria mais oportunidade para mostrar o meu futebol. Era reserva do Kléber (atualmente no Santos) e jogava, no máximo, dois jogos seguidos. Nunca tive uma seqüência para me firmar. Aí veio a Libertadores e, em seguida, acabei encostado. Depois, fui para o Flamengo e no Rio ganhei reconhecimento. Até hoje, a torcida do Flamengo gosta bastante de mim.
DIÁRIO - Você pensa em voltar para o Brasil?
ROGER - Agora, quero continuar na Europa, ir para um grande clube da Itália ou da Espanha e disputar a Liga dos Campeões. Depois, minha idéia é voltar jogar no Brasil. Mas não agora.
Fonte: Diário do Grande ABC

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