Goleiro corintiano defende pênalti de Zé Carlos e vira herói da classificação corintiana para a final da Copa do Brasil
Foi sofrido. Foi emocionante. Do jeitinho que a Fiel torcida gosta e está acostumada. Depois de 90 minutos disputadíssimos, Corinthians e Botafogo decidiram a classificação para a final da Copa do Brasil nos pênaltis e o time do Parque São Jorge levou a melhor. Na última cobrança da equipe carioca, Felipe voou para o chute de Zé Carlos e decretou a vitória corintiana.
Com isso, após um fim de 2007 trágico, com a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro, o reformulado Corinthians mostra sua força e volta a disputar uma decisão. E quem diria, justamente contra o time do técnico que estava na frente no fatídico dia 3 de dezembro, Nelsinho Baptista, hoje comandante do Sport.
A princípio as finais estão marcadas para os dias 4 e 11 de junho. Na quinta-feira, às 14h, será feito o sorteio que irá definir o mando de campo dos jogos.
O torcedor corintiano que esteve no Morumbi com certeza se lembrou das últimas decisões por pênaltis do Corinthians. Em 1999 (quartas-de-final) e 2000 (semifinais), ambas disputas de Libertadores, o Timão levou a pior no clássico contra o Palmeiras. Quem não se lembrou da defesa do palmeirense Marcos na cobrança de Marcelinho Carioca?
O clima durante toda a partida foi quente. As reclamações dos corintianos por conta da arbitragem na primeira partida irritaram os jogadores botafoguenses. Ao longo do jogo, a cada entrada mais forte de cada lado, os ânimos esquentavam.
O começo da partida foi como imaginava e pedia o meio-de-campo do Corinthians, Diogo Rincón. Disposto a marcar o gol da classificação logo nos primeiro minutos, repetindo assim o ímpeto demonstrado na vitória por 4 a 0 sobre o Goiás, nas oitavas-de-final, o time do Parque São Jorge buscou o ataque. Desordenado, porém, o Timão parava na forte marcação do Fogão, bem montado defensivamente por Cuca.
Mano Menezes praticamente perdeu a voz à beira do gramado pedindo paciência para seus jogadores. As triangulações e jogadas de ultrapassagem vistas nas últimas partidas não saíram. Se atrás o Botafogo era efetivo, no setor ofensivo não pode-se dizer o mesmo. Embora velocista, o ataque botafoguense não conseguiu encaixar uma grande trama no primeiro tempo. O jogador mais lúcido do Timão foi o argentino Herrera. Foram dos pés dele - e principalmente da cabeça - que surgiram as raras oportunidades da equipe corintiana nos primeiros 45 minutos. No Botafogo, as jogadas sempre passavam pelos pés de Lucio Flávio.
Se não demonstravam força ofensiva, os times abusavam na vontade. Da metade para o fim da primeira etapa, o jogo ficou excessivamente pegado, com faltas duras e discussão entre os jogadores. Diguinho e Dentinho bateram boca dentro da grande área. A confusão entre os atletas durou até o fim da primeira etapa. Na saída para o intervalo, os atletas das duas equipes voltaram a trocar ofensas. Até o técnico Mano Menezes entrou em campo para tentar apartar a discussão.
- Eles só entram na maldade, mas nós vamos sair daqui (Morumbi) classificados - disse o botafoguense Jorge Henrique na saída para o intervalo.
Na volta das equipes para o segundo tempo, a torcida corintiana ficou preocupada. O árbitro Evandro Rogério Roman expulsou o técnico Mano Menezes de campo. A exclusão, segundo o juiz, se deu por conta da invasão do treinador corintiano antes do término da partida. Roman disse a Mano que o expulsou pela invasão e por ter sido comunicado pelos dois árbitros reservas que o corintiano havia dado socos no ar, reclamando da arbitragem.
Antes de se irritar com a expulsão, Mano Menezes promoveu a entrada do uruguaio Acosta no lugar do zagueiro Fábio Ferreira. Dos camarotes do Morumbi, o treinador vibrou quando, aos sete minutos, Herrera fez belíssima jogada pela ponta direita, fintou dois botafoguenses e rolou açucaradamente para Acosta, que só teve o trabalho de empurrar para o gol aberto.
Mas a alegria da Fiel durou muito pouco. Dois minutos depois, após cobrança de escanteio, André Luis desviou de cabeça e, se aproveitando de uma falha do goleiro Felipe, Renato Silva pegou o rebote e empatou.
E se de um lado Felipe falhou, Castillo copiou. Aos 19 minutos, quando o Botafogo era superior ao Corinthians em campo, Chicão cobrou falta a meia altura e o goleiro botafoguense, mal colocado, aceitou. Delírio da torcida corintiana no Morumbi.
Mais na raça do que propriamente na técnica, os dois times buscaram o gol da classificação, mas não conseguiram. Foram escassas as oportunidades nos 15 minutos finais de partida, o que levou a decisão para as cobranças de pênalti.
Na disputa decisiva, muita calma para os dois lados. Todos os pênaltis foram convertidos, até o último do Botafogo. Zé Carlos cobrou no canto esquerdo de Felipe, que se esticou todo e espalmou, decretando a classificação corintiana.
FICHA TÉCNICA:
CORINTHIANS 2 X 1 BOTAFOGO
Estádio: Morumbi, São Paulo (SP)
Data/Hora: 28/05/2008 - 21h50min (de Brasília)
Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR - Fifa)
Assistentes: Roberto Braatz (RS - Fifa) e Alessandro Alvaro Rocha de Matos (BA - Fifa)
Renda/Público: R$ 845.089,00 / 61.752 pagantes
Cartões amarelos: Dentinho, Herrera, William (COR); Fábio e Castillo (BOT)
Gols: Herrera, 7'/2ºT (1-0); Renato Silva, 9'/2ºT (1-1); Chicão, 19'/2ºT (2-1)
Pênaltis: Chicão (COR) 1-0; Lucio Flávio (BOT) 1-1; Herrera (COR) 2-1; Alexsandro (BOT) 2-2; Nilton (COR) 3-2; André Luis (BOT) 3-3; Alessandro (COR) 4-3; Jorge Henrique (BOT) 4-4; Acosta (COR) 5-4;
CORINTHIANS: Felipe, Fábio Ferreira (Acosta - intervalo), William e Chicão; Alessandro, Nilton, Eduardo Ramos, Diogo Rincón (Marcel, 29'/2ºT) e Wellington Saci (Carlão, 29'/2ºT); Dentinho e Herrera. Técnico: Mano Menezes.
BOTAFOGO: Castillo, Renato Silva, Andre Luis e Bruno Costa; Túlio Souza (Zé Carlos, 22'/2+T), Leandro Guerreiro, Diguinho, Lucio Flavio e Jorge Henrique; Fábio (Alexsandro - intervalo) e Wellington Paulista (Adriano Felício, 41'/2ºT). Técnico: Cuca
Fonte: LanceNet!

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