O gol de cabeça marcado contra o Coritiba surpreende Sérgio Malucelli, mas o rendimento de Bruno Henrique pelo Corinthians não é nenhuma novidade. E ele pode provar.
Proprietário do Londrina, clube antigo do volante corintiano, Malucelli chegou a fazer uma aposta arriscada para que a Portuguesa aceitasse contratar Bruno para o Campeonato Brasileiro 2013. Então diretor da equipe, Candinho queria apenas o atacante Neílson. "Eu forcei ele a levar o Bruno. Disse que, se ele não jogasse, eu pagaria os salários", explica ao UOL Esporte.
Hoje, provavelmente não faltariam clubes dispostos a pagar para Bruno jogar. Contratado pelo Corinthians no início do ano, ele assumiu um lugar no time quando o campeão mundial Ralf se lesionou. O antigo dono da posição já está recuperado há três partidas, mas Mano Menezes manteve Bruno Henrique. Sábado, ele marcou nos acréscimos para salvar o time de derrota com o Coritiba.
"Acho que foi o primeiro gol de cabeça marcado por ele", brinca Sérgio, que conhece Bruno desde que chegou ao Iraty-PR aos 16 anos. "O passe e o chute são pontos fortes dele", explica.
Confiante no potencial do jogador, ele chegou a conseguir uma transferência que poucos atleticanos devem se recordar. Em 2010, Bruno Henrique defendeu o Atlético-MG por três meses. Uma passagem para lá de obscura de apenas quatro jogos durante a Copa do Brasil Sub-23, torneio criado pela Traffic.
"Eu falei do menino para o Maluf (Eduardo, diretor executivo). E ele disse, 'se é tão bom deixa ele por uns meses'. O Bruno queria ter ficado, mas sabia que era a primeira saída. Como ele ficou no time Sub-23, o Vanderlei (Luxemburgo, treinador à época) não acompanhou. O Maluf queria que ele ficasse por mais tempo, mas achei que não jogaria", explica.
Na época, o Atlético-MG Sub-23 era treinado por Freddy Rincón, auxiliar de Luxemburgo, e Rogério Micale, dos juniores. Bruno Henrique, apesar das quatro partidas em que participou com o apelido de Bruno Corsini, não conseguiu ficar. Dos volantes que Vanderlei escalava à época, como Serginho, Correa, Carlos Alberto e Rafael Jataí, nenhum vingou.
Amigo de longa data e sócio de Vanderlei Luxemburgo em alguns empreendimentos, Sérgio Malucelli acabou então ajudando outro amigo com o jogador. No ano passado, quando Bruno Henrique já estava na Portuguesa, ele foi consultado por Mano Menezes. Foi no Iraty-PR, antigo clube de Malucelli, que Mano teve a primeira chance grande na carreira.
"Eu falei com o Mano e o Sidnei (Lobo, auxiliar), que trabalharam comigo. O Sidnei já tinha o Bruno na lista de reforços e eu falei para eles que o jogador era muito bom. Eu sempre acreditei nesse menino", assegura. Malucelli cita a história dos salários na Portuguesa para jurar que, de fato, acreditava.
Investidor com faro para bons negócios, Sérgio esfrega as mãos com a boa fase de Bruno Henrique no Corinthians. O volante é um entre os vários jogadores do elenco em que a direção corintiana contratou sem conseguir manter direitos econômicos. Em caso de transferência, o Londrina e o Banco BMG têm direito a 100% da venda.
fonte: esporte.uol.com.br

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