O brasileiro foi procurado pelo Shakhtar Donetsk e pela Federação Ucraniana para se naturalizar ucranianoA grande discussão do futebol brasileiro ano passado foi "Onde diabos estão os nossos camisas 10?". Começou pela Seleção, que abriu mão do único em atividade no País, Paulo Henrique Ganso, para levar um bando de jogadores comprometidos com o futebol mediano. Estendeu-se ao Campeonato Brasileiro, em que camisa 10 de verdade eram os argentinos Conca e Montillo. Era comum nos debates o nome de Jadson ser mencionado como solução para os clubes, vez ou outra mesmo como alguém que poderia receber uma chance que fosse na Seleção. Pois agora o paranaense de 28 anos, revelado pelo PSTC e projetado pelo Atlético, pode ser a solução para o meio-campo de outro país. Uma possibilidade que põe o jogador diante de um imenso dilema.
Há algumas semanas, o Shakhtar Donetsk e a Federação Ucraniana sugeriram a Jadson que ele se naturalizasse ucraniano. Seria a repetição da história de Paulo Rink, atacante que saiu do Atlético para o futebol europeu e acabou naturalizado pela Alemanha para jogar a Euro-2000. Para o Shakhtar, seria uma forma de abrir espaço para mais um estrangeiro no elenco. Para a seleção ucraniana, seria uma solução pronta para atenuar a deficiente renovação de quem teme dar vexame na Eurocopa-2012, da qual será anfitriã.
A Ucrânia hoje é, basicamente, uma mescla de remanescentes do time quadrifinalista na Copa do Mundo de 2006, que fechou aquele ano em 13º no ranking da Fifa, e os garotos campeões europeus sub-19 em 2008/2009. Enquanto para os primeiros falta o fôlego (e até o futebol) de seis anos atrás, o problema dos jovens é a inexperiência.
Jadson atende os requisitos para a naturalização. Está há mais de cinco anos no País (chegou no início de 2004), além de ter um histórico mais do que respeitável no futebol ucraniano. São três títulos nacionais, uma Copa da Uefa na qual fez o gol do título e a boa participação na atual Liga dos Campeões, em que o Shakhtar pela primeira vez avança às oitavas de final, com boas chances de chegar às quartas (pega a Roma).
O problema é a legislação ucraniana. Para tornar-se cidadão ucraniano, Jadson tem de abrir mão de outras nacionalidades. Significaria abrir mão da cidadania brasileira, o que o impediria de defender a Seleção. Na prática, um problema menor para quem já tem 28 anos e nunca foi chamado. A grande questão é que Jadson precisaria abrir mão também da cidadania italiana que está prestes a adquirir.
Com o passaporte italiano, Jadson abre o mercado europeu inteiro. Ele já teria, inclusive, duas boas propostas de clubes da Itália, capazes de bancar a multa rescisória de um jogador que ainda tem quatro anos de contrato. Embora cada vez mais remota, a hipótese de defender a seleção brasileira seguiria viva. Se preferir se tornar cidadão ucraniano, Jadson continua sendo um estrangeiro perante os olhos do mercado futebolístico europeu, mas passará a ser jogador seleção, requisito ainda exigido (embora sem o mesmo rigor de outros tempos) para um estrangeiro defender um clube inglês.
Itália e Brasil ou Ucrânia e Inglaterra? As possibilidades postas diantes dos pés de Jadson, como em uma cobrança de falta, sua especialidade. Se a escolha seguir o aproveitamento do seu pé direito, quem for escolhido nessa disputa multinacional terá muito a comemorar.
Jadson x Google
Enquanto ainda estuda as melhores opções para a sua carreira, Jadson resolveu engrossar as doações para as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. Ontem a Justiça determinou, em primeira instância, que o Google Brasil indenize Jadson pela criação e manutenção de um perfil falso do jogador no Orkut. A ação é inédita envolvendo um jogador brasileiro. Não há informação oficial do valor, consegui apurar apenas que ele é superior a R$ 5 mil. O Google tem duas semanas para recorrer. Caso a ação termine agora mesmo, Jadson já autorizou o seu advogado a doar o valor total da indenização para as vítimas.
fonte:msn

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