Depois de quatro anos nas trevas, o Palmeiras finalmente encontrou o camisa 9 ideal: ALEX MINEIRO (e foram 22 as tentativas frustradas desde a saída de Vagner Love...)
Dia 3 de Maio de 2008, véspera da decisão do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta. Após a vitória por 1x0 na primeira partida, a euforia tomou conta da concentração do Palmeiras. O elenco estava tão confiante que alguns jogadores decidiram registrar as horas que antecediam o jogo. Leandro e Diego Souza conduziam as entrevistas. Até o técnico Vanderlei Luxemburgo participou da ‘festa’. Alex Mineiro, não. A única cena registrada em seu quarto foi a brincadeira feita pelos companheiros: ‘ Olha o Alex, quietinho, só no canto, tranqüilo, só pensa em dormir’. A resposta veio na seqüência. ‘Tenho que descansar, fiquem na boa que eu decido o jogo amanhã para vocês’. Logo, a câmera partiu para novos registros.
A promessa, feita em tom de brincadeira, de fato se cumpriu. Em campo, o atacante marcou três vezes na goleada de 5x0 sobre a Ponte, tornou-se o artilheiro do Paulistão e sacramentou a vinda da taça. Se, para os torcedores mais radicais, esse foi o primeiro título expressivo desde a conquista da Libertadores, em 1999, Alex Mineiro também encerrou outro incômodo jejum: a ausência de um camisa 9. o último grande artilheiro do Palmeiras havia sido Vágner Love. O ‘atacante do amor’ deixou o Verdão em julho de 2004, após três temporadas, 68 jogos e 47 gols. Foi o último artilheiro do Palmeiras no Paulistão (12 gols em 2004). Desde sua saída, 22 jogadores vestiram a camisa 9 do Palmeiras, mas frustraram as expectativas da torcida...Mas aí veio Alex Mineiro.
De gol em gol, o atacante de 33 anos acumula números importantes. Só no primeiro semestre deste ano, foram 24 gols – ele é o líder da Chuteira de Ouro de Placar, como artilheiro do ano no Brasil. Desde Evair, em 1994, um jogador do Palmeiras não chegava à artilharia de uma competição e conquistava também o título. E ele bem que avisou: ‘Quando cheguei, confiei no meu potencial e disse: vim para vencer e fazer gols. Estou cumprindo tudo. Vivo um momento muito bom, faço gols e tenho perspectiva de títulos. Quero ser artilheiro do Campeonato Brasileiro, façanha que nunca alcancei’. Da Rússia, Vagner Love está de olho no trabalho do sucessor: ‘Ele realmente é goleador como eu. Ainda bem que acabou aquele fantasma da camisa 9 no Palmeiras. O Alex é gente boa fora de campo e tem tudo para cativar a torcida com gols’.
Nascido em Belo Horizonte, Alexander Pereira Cardoso sempre sonhou em ser jogador de futebol e repetir os gols marcados pelo ídolo Zico. Em 1995, largou o emprego de empacotador de supermercado e o time de Santa Tereza para se profissionalizar no América –MG. Depois, rodou o mundo. Passou por Cruzeiro (onde foi campeão da Libertadores em 1997), Vitória, União Barbarense, Bahia, Ceará, Atlético –PR ( clube onde foi campeão brasileiro em 2001 e Bola de Ouro de Placar, e de onde saiu para ser negociado com o Palmeiras, no fim de 2007), Tigres – Mex, Atlético-MG e Kashima Antlers, do Japão. Por todos os lugares que passou, Alex não tentou esconder a fama de ser um autêntico ‘mineirinho’: ‘Não preciso fazer alarde para chamar a atenção. Meu marketing é fazer gols. Vou comendo pelas beiradas, estilo mineirinho, e virando artilheiro’.
Poucas vezes um apelido caiu tão bem em um jogador. ‘Ele economiza as palavras. Quando vai para a concentração, vejo quem é o companheiro dele e pergunto qual vai ser a conversa. Se depender do Alex, fica no 0x0’, brinca o goleiro Marcos. Em quase todas as partidas, a companhia de Alex fica a cargo de Élder Granja. ‘Tenho que dar razão para o Marcos. O Alex fica calado sempre. Tento levantar uma conversa, mas ele só quer dormir. Esses dias, falei a ele que é tão sossegado que vou pedir para trocar de quarto’, revela o lateral. Embora introvertido, o comportamento de Alex Mineiro, agrada ao comandante Vanderlei Luxemburgo: ‘Ele é um líder natural, não precisa falar muito e é frio em tudo que faz. Chama a responsabilidade e decide. Conversa pouco e joga muito’.
Só uma coisa faz o atacante soltar a língua: combinar jogadas. ‘Converso muito com todos para desenvolver estratégias. Por exemplo, para o Élder eu sempre digo para cruzar na primeira trave, que me antecipo e marco gols de cabeça. Me concentro demais para decidir em campo’, conta Alex. A parceria tem dado certo: só nesta temporada, Alex já marcou 7 gols de cabeça. Por outro lado, quem já jogou com ele não poupa palavras para descrevê-lo. Kleber Pereira, companheiro de ataque em 2001 no Atlético-PR, exalta o atacante do palmeiras: ‘Dentro da área ele é genial. Sobrou no pé dele, ele marca mesmo. Além disso, ele faz ‘um-dois’ maravilhoso. Você toca e tem a certeza que a bola volta redonda’. Mário Sérgio, treinador de Alex em duas oportunidades, enxerga outros atributos no atacante: ‘Ele é diferenciado, de inteligência rara. Tem só 1,75 metros e ganha a maioria dos lances na área. Chega na cara do gol e tem a frieza de colocar a bola na rede’.
Mesmo fazendo gols, Alex ainda não se tornou unanimidade como ídolo da torcida. ‘Ainda não sou ídolo. Faltam alguns títulos e gols. Mantenho os pés no chão’. Afirma Alex. Entretanto, quem já chegou ao posto de ídolo não concorda com o atacante. ‘ Com certeza ele já é um ídolo, afinal acabou com aquele problema no ataque. Só que para chegar no Evair ainda vai faltar um pouco’, diz Marcos. É melhor não duvidar de Alex Mineiro, um homem de gelo na área, frio e calculista, e estilo come quieto fora do campo
Fonte: Revista Placar - Agosto 2008 - Edição 1321




wmi9