'Teve até café da manhã com o Van Gaal': como Jadson conquistou técnico que odeia brasileiros e quase foi para o 'Super-Bayern'

Jadson, então destaque do Shakhtar Donetsk, ficou por detalhes de assinar com o Bayern, mas negócio acabou não caminhando na última hora

jadson 170122Desde os anos 90, a equipe alemã tem boa tradição de jogadores brasileiros no elenco, como os atacantes Paulo Sérgio e Élber, os zagueiros Lúcio, Breno e Dante, o volante Luiz Gustavo, os laterais Jorginho e Rafinha e o meia Philippe Coutinho.

Em 2010, o gigante bávaro quase adicionou mais um "brazuca" às suas fileiras: o meia Jadson, atualmente no Vitória, que à época estava destruindo com a camisa do Shakhtar Donetsk.

Quem revela a história é Marcelo Robalinho, empresário do armador, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Na época do Shakhtar, o primeiro grande clube que foi com tudo para tirar o Jadson de lá e avançou bastante foi o Bayern. Eu inclusive fui para a Alemanha e tomei café da manhã com o Louis van Gaal, que era o treinador, e é muito gente boa", lembrou Robalinho.

Van Gaal, que durante a carreira ficou conhecido por ter péssima relação com jogadores brasileiros, brigando até mesmo com craques como Rivaldo no Barcelona, surpreendeu Robalinho ao dizer que queria contar com Jadson.

"Ele comentou comigo: 'Jogador brasileiro você sabe que eu tenho as minhas restrições, mas o Jadson já está na Europa, e vou querer falar com o (técnico do Shakhtar, Mircea) Lucescu", relembrou o empresário.

"Então, eu liguei para o Lucescu e eles conversaram sobre o Jadson. Lembro que era o dia da final da Copa da Alemanha, e a notícia lá era que o Ribéry não ia ficar no Bayern, porque ia para o Real Madrid. Com isso, o Jadson chegaria para a vaga dele. A gente ia só esperar a final para bater o martelo", relatou.

Na decisão daquela Copa da Alemanha, o "Super-Bayern" de Van Gaal, que ganhou também da Bundesliga e foi vice da Champions, atropelou o Werder Bremen por 4 a 0, inclusive com um gol de Ribéry. Após a partida, a expectativa era que o francês desse seu adeus, mas...

"Depois da conversa do Van Gaal com o Lucescu, parecia que a coisa pelo Jadson ia andar. No entanto, o Ribéry decidiu que não ia mais para o Real Madrid, e eles anunciaram a permanência dele naquela noite mesmo, após a conquista da taça. Daí, o negócio pelo Jadson não aconteceu mais", revelou.

Arsenal também procurou
O altíssimo nível de Jadson no Shakhtar, porém, fez com que outras equipes seguissem sondando o brasileiro.

"No ano seguinte, veio uma oferta do Galatasaray, clube em que o Lucescu tinha muita moral, pois tinha sido campeão lá. Ele me disse: 'Eu não queria perder o Jadson, mesmo sabendo que ele iria se dar bem lá'. Mas o Shakhtar nunca tinha ido para o mata-mata da Champions, e naquele ano ia conseguir, pois estava todo mundo no topo. Eu falei para o presidente que ele não sairia, mas poderia ir no próximo, se eles quisessem. No fim, ele ficou, o Shakhtar passou e foi até as quartas, caindo para o Barcelona", recordou Robalinho.

Em seguida, o assédio veio da Premier League.

"No ano seguinte, veio uma oferta do Arsenal. Foi uma loucura, porque eles queriam vender, e o Lucescu deu o OK, porque tinha um compromisso com a gente. O Lucescu inclusive falou muito com o Arsene Wenger, que na época ainda era técnico do Arsenal, sobre o Jadson", relatou o agente.

"Eu estava em Paris, e o Wenger viria até nós para encontrar e fechar. Com isso, eu fiquei três dias no aeroporto de Paris, num hotel, esperando, porque o Arsenal me pediu dois dias para decidir tudo", recordou.

"Só que aí eles me ligaram e falaram: 'Pode voltar para o Brasil, porque a gente sabe que o jogador é muito bom, mas temos uma restrição pelo porte físico dele e a nossa forma de jogo. Volte para o Brasil e, se a coisa tiver que andar, te chamamos para vir para a Inglaterra'. Mas o negócio esfriou depois disso", lembrou.

São Paulo entra na jogada
Quando a conversa com o Arsenal esfriou de vez, Marcelo Robalinho recebeu uma abordagem forte de um clube brasileiro: o São Paulo.

"O São Paulo fez uma oferta muito boa. Eu fiz as negociações diretamente com o presidente do Shakhtar, porque o Lucescu tinha sofrido um acidente de carro. Ele estava indo para a nossa reunião no aeroporto quando se acidentou na Romênia. Quando cheguei ao aeroporto de Donetsk, dei de cara com a foto do Lucescu na TV. Lembro que o Jadson me avisou do acidente por telefone, pois o pessoal do clube ainda não sabia de nada", recordou.

"Ficamos três dias em Donetsk sem ter novidades de nada. Quando soubemos que o Lucescu estava no hospital, mas estava bem, aí começamos a negociar. Ela acabou demorando, porque o presidente do Shakhtar queria incluir o Lucas Moura, que estava no São Paulo, para liberar o Jadson, mas o São Paulo recusou", revelou.

"No fim, o São Paulo pagou bem e ainda repassou 30% do volante Wellington", finalizou Robalinho.

Jadson jogou pelo Tricolor entre 2012 e 2014, quando se transferiu para o Corinthians na famosa troca pelo atacante Alexandre Pato.

Fonte: ESPN

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