Wortmann se indigna: “Sempre acusar gaúchos também é racismo”
De tom de voz baixo e declarações comedidas, o técnico do Juventude, Ivo Wortmann, fugiu de suas características nesta quinta-feira. Com um discurso forte, o treinador mostrou sua indignação com as críticas que o clube e os torcedores estão recebendo devido aos gritos racistas proferidos ao goleiro do Corinthians Felipe, ocorridos na quarta-feira.
Wortmann lembrou que o alviverde é um grande anfitrião e recebe muito bem seus adversários no Alfredo Jaconi. Ele acredita que as acusações recebidas são injustas e saiu em defesa do clube.
“Fiquei chocado ao ouvir que é costume esse problema de racismo aqui. Isso não existe. Precisamos acabar com a hipocrisia no futebol brasileiro. Já escutei em vários lugares esse preconceito em relação aos gaúchos. Isso também é racismo. É melhor parar com isso aí. O povo de Caxias e o Juventude não merecem que falem nisso”, afirmou.
Esta não é a primeira vez que o esmeraldino enfrenta problemas relacionados com o racismo. Em 2006 o fato ocorreu duas vezes. A primeira foi em partida diante do Inter, quando a cada vez que o colorado Tinga tocava na bola, a papada, como é chamada a torcida do Juventude, imitava sons emitidos por macacos. Logo em seguida, o volante Jeovânio, do Grêmio, foi ofendido pelo zagueiro Antônio Carlos, atualmente dirigente do Corinthians.
O ato dos torcedores pode render pena severa ao clube gaúcho. O Juventude pode ser enquadrado nos artigos 187 (ofensas morais) e o 213 (deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto) do Código Brasileiro de Justiça Esportiva. O alviverde pode ser penalizado com o pagamento de multa que varia entre R$ 10 mil e R$ 200 mil ou até mesmo ser excluído da Série B.
Colaboração – O Juventude divulgou um comunicado oficial nesta quinta-feira. Na nota, o clube se compromete a apurar os incidentes da partida com o Corinthians. Leia abaixo:
O Esporte Clube Juventude vem a público se posicionar a respeito das acusações do goleiro Felipe, do Corinthians, que alegou ter sido ofendido de forma racista por torcedores do Juventude durante o jogo realizado quarta-feira, dia 12, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
O clube se coloca à disposição, inclusive através do sistema interno de câmeras do Estádio, para apurar qualquer problema ocorrido, seja contra o goleiro ou do mesmo provocando a torcida. Reiteramos que o Esporte Clube Juventude reprime qualquer atitude ofensiva à raça, sexo, origem, etc.
FOnte: GazetaEsportiva

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